Psicopictoriografia


Pintura Mediúnica ou Psicopictoriografia é um intercâmbio multidimensional, uma mediunidade, um meio de comunicação entre a realidade física e a espiritual, cujas energias plasmadas no decorrer do fenômeno mediúnico objetivam a cura, nos seus aspectos: físico, hiperfísico e emocional. As obras produzidas por pintores desconhecidos ou pelos que marcaram a história da arte revelam a grandeza da vida espiritual, afigurando-se não apenas como comprovação desta, mas como instrumento divino de cura, amor e auxílio ao próximo.

É uma mediunidade pouco comum, mas não rara. Em diversos núcleos espiritualistas encontramos médiuns psicopictoriógrafos, alguns já com alguma noção artística prévia, outros sem nenhuma. O mesmo ocorre na psicografia (escrita mediúnica) onde encontramos médiuns letrados e outros nem tanto. Não é a presença ou ausência de conhecimento prévio que registra a originalidade do fenômeno. Ao contrário, o médium deve sempre se ater ao estudo literário, deve sempre buscar o conhecimento, e aquele que atua com pintura mediúnica deve entender ainda a história da arte, a biografia e obra dos artistas que se comunicam durante o transe mediúnico.

Nos anos 80 o mundo testemunhou a expansão dessa mediunidade incomum, até então raramente produzida em centros espiritualistas. Luiz Antônio Gasparetto foi um dos grandes precursores desse movimento no Brasil, e com certeza um dos maiores expositores dessa faculdade mediúnica em âmbito internacional, com demonstrações públicas (e por demonstrações públicas entenda-se a exposição dessa mediunidade para grupos ou platéias de pessoas, onde algumas já são familiarizadas com a natureza e os princípios do fenômeno e outras, muitas das vezes, o desconhecem completamente) em diversos países e diante de críticos internacionais que, perplexos perante a expressão desse dom, atestavam constantemente sua veracidade. A família Gasparetto, com expressão mediúnica nitidamente voltada à arte, nos contemplava ainda com a mediunidade psicográfica de Zíbia e a mediunidade musical de Irineu. Nesta década, o espiritismo chamou a atenção do mundo, através das evidências e provas testemunhadas do intercâmbio entre o mundo espiritual e o mundo físico.

Enquanto Gasparetto alcançava uma maior expressão pública, em outras aglomerações espiritas ou espiritualistas alguns médiuns iniciavam seus trajetos ou já expunham publicamente seus dons como efeito coletivo nessa grande onda possibilitada pelo novo interesse das pessoas e dos meios de comunicação. Médiuns que hoje (alguns deles) continuam o trabalho de demonstração pública, perpetuando a função de oferecer dados que comprovem a existência do mundo espiritual. Médiuns como Paulo Sérgio de Sá, José Medrado, Florêncio Anton, Valdelice Salum, Lívio Barbosa, Mariluza Vasconcelos, Germano Rehder, e muitos outros (conhecidos ou não pelo grande público). 

De uma certa forma, se nos for permitido essa análise, entendemos que essa expressão maciça foi uma preparação do movimento espiritualista para a partida de Chico Xavier, até então o maior representante do espiritismo no mundo. A arte espiritual atraiu as pessoas para a originalidade do fenômeno, deixando muitas delas instigadas e comovidas com a beleza do processo. Na busca por explicações lógicas, algumas dessas pessoas adentraram as fileiras espíritas, tomando assim conhecimento das obras literárias produzidas através do Chico, podendo assim compreender a mediunidade e enriquecer seu espírito com as mensagens doutrinárias, encontrando conforto, amparo, e despertando suas consciências para realidade da dimensão espiritual. 

Observemos que um dos objetivos da espiritualidade é chamar a atenção da humanidade para a continuidade da vida, para a eternidade do espírito e para as responsabilidades de cada um em seu caminho reencarnatório, e não "angrariar" fiéis. É confortar, socorrer - não converter ou convencer. O mundo espiritual não é "espírita", nem "católico", nem "muçulmano"... é simplesmente uma outra dimensão que existe acoplada à nossa, paralela, composta por espíritos de diversos níveis hierárquicos e estágios evolutivos. 

Embora o espiritismo tenha revelado essa outra realidade, codificado princípios morais respaldado pelo cristianismo e estudado profundamente os fenômenos mediúnicos, o espiritismo não é proprietário do mundo espiritual, e seus fiéis não tem acesso garantido às regiões celestiais, visto que é o panorama íntimo de cada um, sua postura diante da vida e de seu semelhante que irão conduzir o indivíduo às suas regiões espirituais afins. Portanto, a psicopictoriografia (como qualquer outra mediunidade) não é exclusividade de religião alguma, embora seja necessário um conhecimento espiritualista para sua manifestação segura. A mediunidade, sendo algo natural, ocorre naturalmente em qualquer lugar e em qualquer pessoa, mesmo até nas que se rotulam como ateus.

Infelizmente há os que se utilizam da mídia para expor uma mediunidade ainda não completamente desenvolvida ou, no caso de médiuns com grande tempo de experiência, para expressões pessoais de suas vaidades e personalismos, para conseguir um reconhecimento público que não viria de outra forma, colocando a autenticidade do fenômeno em questão e tornando-se objeto de críticas ferrenhas, a ponto de comprometer a idoneidade dessa mediunidade. O fazem sem a cautela preconizada por Allan Kardec de "avaliar a mensagem por seu conteúdo", que, no contexto da psicopictoriografia, equivale a dizer: 1) "avaliar a produção por seu teor de semelhança aos estilos consagrados"; 2) "enfatizar o processo de cura que existe para-além do fenômeno"; 3) "perceber a real intenção dos que trabalham com esse dom"; 4) "compreender os motivos dos pintores ao produzirem suas obras"; e sem a premissa cristã do "dai de graça o que de graça recebeste". A vaidade e o estrelismo do médium não colocarão o trabalho de cura a perder, obviamente, mas revelarão um indivíduo que desconhece os princípios da humildade e a própria função da mediunidade que flui através de si.

Não queremos com isso dizer que a divulgação ou as demontrações públicas do fenômeno não sejam importantes. Obviamente o são! Não apenas importantes como necessárias! Mas desde que sejam desinteressadas, que não façam da demonstração um simples espetáculo, não tenham como objetivos a auto-promoção, o enaltecimento próprio e o ganho monetário do médium. 

Mas há um outro aspecto da mediunidade psicopictoriográfica que não é tão divulgado (visto que não interessa aos críticos artísticos e aos entrevistadores de TV) e que é infinitamente o objetivo mais importante dela: a liberação de energias curadoras, como tão bem registrado na mensagem psicografada por Rembrandt (que se encontra na aba "psicografias"). 

A arte em sua função de cura, de libertação, de amplitude de estados de consciência, pode restaurar, no espírito e nos organismos físicos, energias fundamentais que estão em defasagem e são absolutamente necessárias ao equilíbrio e bem estar. No processo mediúnico desse dom são liberadas energias veiculadas por cores, formas, luzes, sentimentos, ectoplasmas, movimentos (que por sua velocidade motora também libera um volume energético considerável). 

Se aos nossos olhos humanos as imagens produzidas pela psicopictoriografia são bidimensionais, no plano astral (hiperfísico) essas obras são percebidas de forma multidimensional, multiangular, com cores que se misturam e se revelam criando prismas e contrastes, emanando energias curadoras, portando a musicalidade própria do momento em que foram concebidas (mas uma musicalidade também alterada pela percepção, invocando instrumentos, recombinando acordes), idéias, sentimentos, mensagens de amor, imagens capazes de modificar sua forma dentro do estilo, dinamizando e recombinando os traços.

O estilo é importante na medida em que cada um agrega uma história particular. Foi concebido em um momento social-político-econômico específico, e retrata um determinado tempo, seus costumes, os vestuários, as impressões, os movimentos culturais. Traduz a visão do artista sobre os eventos que testemunhou e como ele conseguiu sublimar a percepção desses acontecimentos através da arte, que lhes servia como expressão, denúncia, revolução, eufemismo. Imaginemos quanta história está contida em um único estilo, quantos sentimentos, quantas revoluções, quantos questionamentos sociais, quanta poesia, quanto potencial de cura.

Nos informa Rembrandt que "cada traço, cada gota de tinta, cada mesclagem - (são) verdadeiras explosões de energia pura". Sabemos que somos todos constituídos pelo aglomerado de energias que dão forma à matéria, particularmente nossos corpos físicos e envoltórios espirituais. Essa energia pura liberada na pintura mediúnica (desde o fenômeno propriamente dito até a conclusão das obras) nos atinge positivamente de todas as formas e em todas as concepções da palavra cura. Para alguns é o alento de reconhecer a imagem de um ente querido projetada sobre o papel e enviada como testemunho da continuidade da vida, para outros é o impacto das cores que o sensibilizam ou as formas que lembram fatos, objetos, pessoas que marcaram sua estória pessoal, para outros é a irradiação energética que dissipa os miasmas da doença, e para outros é o conforto, a paz e o equilíbrio pairando em seu lar. Esse poder de evocar lembranças e sensibilizar corações é impressionantemente marcante na psicopictoriografia, e funciona dos dois lados da vida, tanto para os que presenciam o fenômeno no plano terreno, quanto para os que o testemunham no plano espiritual. Ambos são atingidos pelas emanações energéticas e impactados pelo processo da pintura mediúnica, que se utiliza de símbolos, representações, imagens, e que são absorvidos pelo indivíduo ainda que este apresente comprometimentos na visão ou seja desprovido dela. 

Depois de finalizadas, as obras se tornam eternas e juntamente com elas permanece a contínua emanação dinâmica e energética de cada uma. Centenas de espíritos são chamados para participar desse trabalho e receber as energias de cura. No organismo físico e no corpo espiritual, essas explosões de luz atuam recombinando partículas, desfazendo cápsulas de energia deletérea, quebrando formas-pensamento destrutivas, alimentando os sistemas e órgãos, neutralizando ou estagnando processos enfermiços, normalizando o fluxo vital, trazendo luz para a consciência e afastando as trevas, as energias impuras e a influência do mal.

A grande maioria dos pintores que se manifestam mediunicamente deixaram suas marcas na civilização, já foram aplaudidos, reconhecidos e ovacionados pela história. Não se engrandecem ou se minimizam com aplausos quando estes ocorrem em demonstrações públicas após a apresentação de cada obra concluída. Não podemos conceber a idéia de que eles se precipitem das regiões espirituais (com tanto trabalho de socorro a ser feito por lá) até nossa realidade física, que desejem estabelecer contato com nosso tempo, que utilizem-se de materiais tão primitivos e básicos como os que oferecemos, que se submetam às limitações do fenômeno mediúnico e dos próprios médiuns que lhes servem de ancoradouro... apenas para reproduzir seus estilos, alegrar os participantes e comprovar que continuam vivos em uma outra dimensão da vida. Não podemos conceber isso. Sabemos que a missão deles agora é outra. Vivendo na realidade espiritual, diante de toda a multidimensionalidade cósmica, a compreensão artística que desenvolveram já transcendeu infinitamente a visão da arte que possuíam quando encarnados. Eles conhecem e manipulam os efeitos das cores, das luzes, dos ectoplasmas, dos sentimentos. Utilizam seu domínio sobre essas energias para produzir cura, auxílio, amor.

Esse efeito de cura possibilitado pela psicopictoriografia certamente está presente nas demonstrações públicas (mesmo que os encarnados não tenham ciência disso), mas na grande maioria das vezes infelizmente não lhe é dada a devida atenção. A atenção do público está voltada a "qual pintor se manifestará" e "que tela será produzida". O remédio energético não deixará de ser direcionado, certamente, aos que necessitam dele, mas esse poder terapêutico, esse volume gigantesco de energia curadora poderia ser ampliado em múltiplas direções, atingindo milhares de pessoas (principalmente as que estão distante, as que são desconhecidas, as que não estão participando do fenômeno) se houvesse uma "intencionalidade" na condução do trabalho para esse "sentido". Poucos núcleos e poucos médiuns desenvolveram essa consciência da função de cura veiculada pela pintura mediúnica.

Aquele que exerce o dom mediúnico e aquele que está encarregado de coordenar o trabalho no plano físico ou abrir oficialmente a apresentação com uma oração, devem invocar, nessa prece, o potencial de cura. Devem canalizar os pensamentos dos participantes (público) para um cenário de luzes, cores e formas envolvendo a todos. Devem pedir nessa prece para que essa energia chegue aos lares de todos os ali presentes e ausentes, levando equilíbrio e destruindo energias negativas. Devem rogar para que essa energia chegue aos asilos, aos hospitais, aos enfermos, aos abandonados, ao que perderam entes amados, aos que vivem em regiões de guerra, aos que sofrem, aos que choram, aos que cumprem suas penas nos presídios, aos suicidas, aos que passam por dramas familiares, ao que não tem família, aos que estão envoltos pelos véus do crime e da corrupção. Devem direcionar essa prece a toda criação divina, pois, sendo luz e viajando no tecido espaço-tempo, levarão cura a outros mundos e formas de vida espalhados nos multiversos. Ambos (médium e orador) devem informar previamente à audiência o real sentido desse trabalho mediúnico, a verdadeira ação terapêutica exercida pela arte, do contrário a demonstração será apenas um espetáculo aos olhos da platéia. Quanto mais bem informados e sintonizados estiverem os participantes, mais benefícios receberão e mais aptos estarão a redirecionar essas energias para outras pessoas como elementos multiplicadores. Quando o trabalho ocorre e as pessoas que o presenciam mentalizam seus lares, suas famílias e amigos que estejam passando por enfermidades de quaisquer ordens, a energia de cura alcança todos eles.

É lamentável que nem sempre seja assim em alguns lugares, onde observamos que tanto os médiuns envolvidos no processo (dos assistentes ao psicopictoriógrafo) quanto as pessoas que estão assistindo à apresentação (mesmo que não seja pública), preocupam-se mais com as formas, com a composição das obras, com o objeto produzido, com os aplausos, do que com o sua função primordial de cura. Talvez por não terem ainda percebido esse efeito, essa energia, talvez pelo encanto que o fenômeno proporciona, pelo espetáculo ao vivo e com muitas, muitas cores.

Reconhecer isso não é desmerecer, de forma alguma, as demonstrações públicas, mas transmitir alguns esclarecimentos oportunos e fundamentais, e tentar orientar os médiuns para essa função curativa. Não objetivamos criticar negativamente quem quer que seja, nem questionar as intenções pessoais de cada um. Buscamos apenas informar e despertar a consciência dos médiuns (alguns com décadas de exercício da mediunidade) e das equipes de suporte ao trabalho para o verdadeiro significado da pintura mediúnica, o real sentido desse dom maravilhoso, para que reposicionem suas percepções enquanto ainda podem fazê-lo. Portanto, agreguem essa consciência, essa intencionalidade aos processos mediúnicos que já desenvolvem ou começarão a desenvolver, e irão perceber a magnitude desse manacial energético que transborda através da psicopictoriografia.

Em demonstrações públicas ou restritas ao grupo mediúnico, aqueles que tem como missão o exercício da psicopictoriografia tem o dever de conhecer, reconhecer, compreender e direcionar essa energia curadora que é produzida antes, durante e após o processo mediúnico e que se perpetua nas (e através das) obras produzidas. 

Em outras palavras, dizemos aos médiuns, atentem e observem: os que trabalham com pintura mediúnica, trabalham essencialmente com CURA. E devem desenvolver a mais plena consciência disso.
 


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