Trabalho


A mediunidade, qualquer que seja ela, é sempre um portal de comunicação entre dimensões.

De um lado temos a realidade física em que nós vivemos na condição de "encarnados", carregando nossas individualidades, personalidades, princípios, conflitos, trilhando nosso caminho como pessoas, cumprindo um karma ou uma missão e dotados de livre-arbítrio.

De outro, temos as múltiplas dimensões que comportam a realidade astral (hiperfísica), o mundo espiritual terráqueo, orbes distantes, regiões celestiais e infernais, habitadas por seres de diversos níveis de consciência, por espíritos que já reencarnaram ou não em nosso planeta, por centelhas que continuam sua jornada infinita e eterna pelos universos.

Essas realidades se influenciam simultaneamente, obedecendo a uma regência divina e magistral, uma ordem cósmica e perfeita. A mediunidade é esse "ponto de contato" através do qual essas dimensões (de ambos os "lados") se comunicam diretamente, se percebem e se tornam UM .

Podemos dizer que mediunidade é um fenômeno natural (inserido na natureza) e corriqueiro (pois todos a possuímos em maior ou menor grau de percepção), presente em nosso dia a dia, em nossa casa, no trabalho, nos momentos de lazer, nos momentos de aflição, nos sonhos, nas religiões (seguindo seus preceitos e dogmas). Pode ser manifesta através dos sentidos (visão, audição, tato, olfato), pode ser manifesta através da escrita, da música, da pintura, da escultura, da psicocinese, da premonição, da intuição, da materialização e de outras tantas e inumeráveis formas. Possui padrões característicos de expressão, mas também está sujeita à peculiaridade de cada um dos interlocutores (do plano físico e do plano astral). Sendo assim, nenhuma mediunidade é igual à outra, porque nenhuma pessoa é igual à outra e nenhum comunicante espiritual é igual ao outro.

Os médiuns chamados "videntes", por exemplo, conseguem visualizar elementos da realidade espiritual. Uns vêem de olhos abertos, outros de olhos fechados; uns a percebem como emanações do próprio pensamento, outros vêem formas detalhadas e definidas, outros vêem nuances e sombreamentos; uns vêem em estado de vigília, outros vêem em estado alterado de consciência; uns vêem em estado sonambúlico, outros vêem através de sonhos; uns vêem o ambiente astral acoplado ao em que se encontram, outros tem a visão transportada para diferentes espaços. Mas nenhum médium vê a mesma coisa do mesmo modo que outro; cada um vê de forma única, porque vê apenas o que lhe é revelado, o que lhe é permitido ver, e ainda assim submetido ao raio de alcance de seu potencial mediúnico e à coloração de seu mundo mental

Tentaremos agora transmitir orientações acerca da prática mediúnica, desde seu desenvolvimento até estágios mais amadurecidos procurando distinguir particularidades do fenômeno como forma de melhor explicar e compreender suas variantes. Como o tema desse blog é direcionado à psicopictoriografia (também conhecida como psicopictografia, arte pictória ou pintura mediúnica), tomaremos essa mediunidade como referência quando necessário.



                                                       O DESPERTAR DO DOM


A mediunidade pode eclodir em determinado período da vida, seja em virtude do início uma missão, de um fato marcante, através de um sofrimento, sob forma de resgate kármico, em resposta a uma amplitude de consciência, ou um desequilíbrio, enfim... por vários fatores. Caso não apereça espontaneamente, ainda assim o potencial mediúnico pode ser estimulado e desenvolvido. Entretanto, acima de qualquer coisa, a mediunidade requer uma aceitação. Não existe médium "obrigado" a ser médium. Somos agraciados com o livre-arbítrio e não escravos do destino, até porque o destino (o caminho tido como previamente traçado) vai sendo construído, reconstruído e modificado de acordo com o "caminhar" de cada um.

Os que se percebem "forçados" a desenvolver a mediunidade são aqueles que fizeram um compromisso pré-encarnatório de colocar seus dons a serviço da humanidade, e que, uma vez encarnados, afastaram-se desse caminho. Os espíritos, então, se aproximam desses médiuns convocando-os ao trabalho. Mas ainda assim é opção dos médiuns seguir ou não por esse trajeto, cumprir ou não sua missão. Se os espíritos guardiões insistem e dão sinais de alerta é porque o exercício mediúnico poderá reconduzir esses médiuns à missão pré-estabelecida por eles mesmos antes de reencarnar, e como o intercâmbio mediúnico é parte de suas missões, e por isso mesmo os canais mediúnicos já estão propícios ao contrato multidimensional, esses médiuns podem acabar expostos a toda sorte de influências, sem disciplina, sem proteção, atraindo elementos do plano astral que podem ser prejudiciais ao seu equilíbrio, espíritos ainda arraigados ao erro, ao mal, à estagnação.

Mas eles, os espíritos protetores, não "obrigam" médium algum a exercer a mediunidade. O portal mediúnico que enlaça as dimensões deve ser consensual, com engajamento de ambos os lados para que o fenômeno ocorra. Se o médium, no plano físico, embasado em sua percepção existencial fecha as portas da comunicação para a dimensão espiritual, elas assim permanecerão. Do plano astral para o plano físico, espírito nenhum fere esse princípio da individualidade (a menos que seja atraído por alguma afinidade ou víciosidade) e da responsabilidade existencial do ser encarnado. Se as portas não se abrem porque o médium não as quer abertas, não serão eles, os espíritos comunicantes, quem as arrombarão à força. Seja por eclosão espontânea do potencial mediúnico ou pelo desejo de desenvolvê-lo para auxiliar o próximo, a mediunidade só tem sentido de ser, só tem razão de existir e acontecer, se tiver o amor ao próximo como motivo, se for movida por amor, só por amor.  

Quando a mediunidade começa a se desenvolver, nem sempre o médium tem o conhecimento e a disciplina necessários para arcar com tal responsabilidade. Muitos que exercem a pintura mediúnica relatam que nunca pesquisaram sobre história da arte, que nunca haviam sentido afinidade por essa área e mesmo que nunca apresentaram uma mínima aptidão artística. Mas, do momento em que essa (ou qualquer outra mediunidade) iniciar o seu curso, o médium tem o dever de pesquisar, estudar e aprender sobre a mediunidade, sobre os fundamentos do fenômeno, sobre os achados contidos na literatura espiritualista, e, se possuir a mediunidade de psicopictoriografia, também sobre a história da arte, seus expoentes, estilos e escolas.

Alguns médiuns (particularmente psicopictoriógrafos) acreditam que não devem estudar a história da arte, biografias dos pintores, obras consagradas, porque isso poderia "interferir" no fenômeno como sugestionabilidade. Isso é um mito. Mais que isso, é um erro. Também alguns se recusam veementemente a sequer pensar em estudar técnicas de desenho ou pintura, ou mesmo desenvolver quaisquer aptidões artísticas como pessoa, porque acreditam que suas manifestações artísticas devem se concentrar única e exclusivamente nos domínios da mediunidade, e que se o fizerem fora desses domínios irão colocar o fenômeno em descrédito. Outro mito.

Essas posturas revelam um profundo desconhecimento do processo mediúnico, carência de estudo, acomodação, autosuficiência, excesso de confiança e falta de humildade. Se esses preceitos fossem lógicos e reais, então seriam observáveis também nas outras mediunidades. Assim poderíamos imaginar algumas regras absurdas: fora dos domínios da mediunidade os médiuns psicógrafos não poderiam escrever, os psicofônicos não poderiam se comunicar verbalmente e os videntes não poderiam enxergar. Isso nos conduziria a um absurdo ainda maior: os médiuns psicógrafos não poderiam ler qualquer tipo de escrito para não serem influenciados; pelo mesmo motivo os psicofônicos não poderiam aprender novas línguas e palavras e os videntes não poderiam utilizar os seus olhos e os seus pensamentos para perceber o mundo que os cerca.

A verdadeira regra que se deve ser ressaltada é esta: quanto mais conhecimento o médium adquirir, mais especial será a manifestação de seu dom e mais segurança para exercitá-lo ele terá. A mediunidade respaldada pelo estudo sempre se supera, sempre se enriquece de conteúdo. Não existe médium pronto, pois a mediunidade está constantemente sendo aperfeiçoada durante a existência.



                                               DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO


Quando o dom surge é preciso dar-lhe um direcionamento, e isso vale para qualquer mediunidade.  O médium deve procurar um núcleo espiritualista (caso ainda não esteja inserido em algum) para obter suporte doutrinário e receber orientações sobre sua missão. Se já possuir um percurso doutrinário e tiver autorização espiritual, pode constituir um grupo específico para o trabalho de pintura mediúnica. O grupo, além de funcionar como uma cúpula protetora (doando energias e auxiliando-o durante a execução do fenômeno) também poderá ajudá-lo com a aquisição do material necessário (tintas, telas, giz pastel, papel, pincéis, etc.).


a) Materiais

É sugerido que na fase inicial de seu desenvolvimento mediúnico o médium tenha à sua disposição apenas papel de maior gramatura e giz pastel (giz crayon), até que aprenda a controlar os impulsos motores provocados pelo fenômeno. Além disso, é uma fase de "acoplamento" energético entre os espíritos e o médium, onde os primeiros irão começar a exercitar seus estilos e técnicas (e a técnica da pintura começa com o desenho), estabelecendo ligações mentais e físicas com os segundos, procurando pontos de conexão favoráveis para que possam se manifestar com maior propriedade. A simplicidade do material disponível auxilia o aprimoramento técnico, o domínio do traço e dos movimentos, a composição das formas e o uso das cores. Dessa simplicidade surgirão expressivas produções, e mesmo depois de anos em exercício mediúnico os espíritos ainda continuarão a utilizar-se desses primeiros materiais disponíveis. Observamos isso em alguns médiuns com o potencial mediúnico já desenvolvido: eles iniciam o trabalho com giz e papel, depois passam para as tintas e telas, depois voltam para o papel combinando giz e tintas, daí voltam para o giz e papel, vão novamente para as tintas, usam giz nas telas, usam tinta no papel... tudo isso em uma mesma sessão mediúnica.

Seguindo as orientações espirituais, o uso das tintas virá numa fase posterior, quando a mediunidade estiver fluindo através da sintonia que foi construída paulatinamente ao longo do tempo, quando os médiuns desenvolverem a consciência desse trabalho e o controle dos impulsos motores, quando tiverem se abastecido de estudos, conhecimentos e princípios morais norteadores da prática mediúnica, quando estiverem seguros e as obras plasmadas pelo fenômeno apresentarem consistência.

Esse percurso sugerido pela espiritualidade (e quase sempre observado no histórico dos médiuns psicopictoriógrafos) não é uma regra. Há médiuns que começam o desenvolvimento diretamente com as tintas, particularmente aqueles que possuem ligação ou missão quase exclusiva com pintores do impressionismo. Mas, embora não seja uma regra, é o caminho mais seguro quando o assunto é o "desenvolvimento" dessa mediunidade em especial.

Consideremos também as demandas econômicas disponíveis, pois um material mais elaborado (telas e tintas) possui valor mais elevado, e nem sempre o médium ou o grupo tem condições para custear a manutenção desse trabalho, que exige uma substituição praticamente constante desses materiais. Discutiremos sobre a manutenção do trabalho logo adiante.

Com o avançar do desenvolvimento mediúnico, com a transferência do papel para as telas, e do giz pastel para as tintas, a grande maioria dos médiuns psicopictoriógrafos é orientada a utilizar tinta acrílica, pois o processo pode produzir várias obras de uma só vez exigindo uma estocagem das telas. A tinta acrílica possui uma secagem rápida, é solúvel e removível com água, ao contrário da tinta a óleo, de lenta secagem e difícil remoção mesmo mediante uso de produtos específicos. A tinta a óleo também é contra-indicada por suas propriedades tóxicas, visto que muitos dos pintores espirituais que se manifestam, desencarnaram, exatamente, vitimados por altos índices de intoxicação desses produtos. Novamente precisamos evidenciar que isso não é uma regra. Alguns médiuns (poucos deles na verdade) trabalham com tinta a óleo, e devem (ou deveriam) tomar as devidas precauções através do uso de luvas cirúrgicas e protetores respiratórios descartáveis. Essas precauções são também necessárias para as pessoas que estão assessorando o médium, pois assim como ele estão igualmente expostas a intoxicações e reações alérgicas. Com a tinta acrílica essas precauções não são necessárias, mas o médium pode utilizar as luvas para facilitar a remoção dos resíduos coloridos ao término do fenômeno.

Como orientação geral, podemos dizemos dizer que dos estágios iniciais de desenvolvimento (com uso de giz crayon) até as fases mais amadurecidas desse processo (com o uso de tintas acrílicas ou a óleo) existe um percurso de tempo relativo que funciona na razão direta da intensidade do dom de cada um (potencial mediúnico), do aprimoramento técnico (que discutiremos a seguir) alcançado, da sintonia construída com os espíritos, do compromisso do médium com o estudo e com sua conduta mental.

Para alguns pode ser um período de alguns meses, para outros será de alguns anos, pois não há pressa nesse percurso. Todavia, o que devemos registrar é que as obras produzidas com giz crayon, ou com tintas, ou com mesclagem de materiais são todas de igual importância, carregam os mesmos estilos de seus pintores, e possuem a mesma função de cura.


b) Luminosidade e musicalidade

Esse tema está bem esclarecido na mensagem psicografada de Rembrandt (na aba "mensagens"), portanto iremos apenas comentar aspectos dela. A luminosidade do ambiente para o exercício da pintura mediúnica deve ser aquela em que o médium sinta-se confortável e seguro.

Rembrandt alerta que pouca luminosidade nas fases iniciais do desenvolvimento pode afigurar-se como aspecto positivo, minimizando a influência do médium no processo. Geralmente o desenvolvimento mediúnico é realizado ao final da tarde ou ao cair da noite, visto que os médiuns e participantes do grupo desempenham suas atividades profissionais durante o dia. Nesses horários, onde a luz natural é mais escassa, o local onde ocorrerá o desenvolvimento pode ser iluminado com uma lâmpada de baixa voltagem, preferencialmente colorida (âmbar, azul, verde, vermelha) ou uma vela (sem qualquer intenção ritualística).

Outros médiuns poderão estar em desenvolvendo no mesmo local outras formas mediúnicas (como a psicografia). Na grande maioria das vezes é necessário dividir o horário da sessão de desenvolvimento de múltiplas mediunidades em função da luminosidade e, principalmente, da música ambiente (que também desempenha uma função musicoterapêutica). Caso o médium psicopictoriógrafo não se adapte a esse tipo de iluminação, esta pode ser intensificada com o acréscimo de mais fontes luminosas. O importante é que o desenvolvimento e mesmo o exercício mediúnico em estágios aprimorados ocorram sempre em um ambiente confortável para o médium. Pouca ou excessiva luminosidade não são determinantes desse processo.

Alguns médiuns, durante algumas demonstrações do fenômeno, valem-se da completa ausência de luz, como forma de comprovar a originalidade do processo. Obviamente o podem fazê-lo se assim sentem-se confortáveis, ou se a espiritualidade assim o determinar, mas não é isso que revela a originalidade e a autenticidade do fenômeno. Recorrendo às palavras de Rembrandt: "Não se trata mais de uma “comprovação” do fenômeno. Sua autenticidade é colocada frontalmente ao objeto produzido".

Em relação à música ambiente, esta é consideravelmente diferente da utilizada em outras expressões mediúnicas. Na psicografia a musica utilizada é a mais lenta possível (sinfonias, andantes, adágios), preferencialmente instrumental, sem cantos ou vocalizações, cuja função é tranquilizar o ambiente sem atrapalhar a atenção e a concentração do médium. O volume pode ser baixo ou moderado, e as músicas são majoritariamente clássicas.

Já na pintura mediúnica a música utilizada deve ter uma cadência muito mais rápida (allegros, orquestras), pois sua função é excitar o sistema nervoso do médium, estimular a velocidade dos movimentos, manter a explosão de sons e cores para gerar as energias magnéticas e espirituais da cura, fornecer variantes tonais que se combinarão com os espectros de cores. A maior velocidade da música, em conjunto com os movimentos motores característicos dessa mediunidade, dinamizam a produção das obras e muitas vezes os próprios espíritos comunicantes acompanham a cadência das melodias sob forma de movimentos e traços. O volume sonoro pode ser moderado ou alto. No caso de demonstrações públicas, onde eventuais conversas e cochichos da platéia incomodam os pintores e podem atrapalhar a concentração do médium, o volume deve ser sempre alto. As músicas são em sua maioria instrumentais, mas podem abarcar também outros ritmos (populares, tango, clássicas, new age, chill out, etc...) e até melodias vocalizadas, desde que muito bem escolhidas e que transmitam uma sensação de bem-estar. 


c) Aprimoramento técnico

Talvez nenhuma outra mediunidade dependa tanto de treinamento quanto a psicopictoriografia. Não basta ter o dom, é preciso adestrá-lo. Isso exige uma dedicação intensa para uma melhor expressão das técnicas e estilos, e certamente esse treinamento se arrastará por anos e nunca se dará por concluído, pois a arte está sempre por se dizer, e as dimensões estão em constante transformação.

Para o desenvolvimento mediúnico inicial da psicopictoriografia, a espiritualidade sugere duas a três sessões semanais, suficientes para este propósito. Para alguns médiuns podem ser solicitadas mais ou menos sessões por semana. Isso depende do potencial mediúnico de cada um, das limitações mediúnicas a serem contornadas, da necessidade de maior sintonia entre o espírito comunicante e o médium, do teor da missão a ser desenvolvida, da capacidade de recuperação energética desse médium no período de tempo que separa uma sessão de outra.

Como o desgaste energético gerado pelo fenômeno é volumoso, pois estamos tratando de energias curativas e motoras liberadas durante o exercício da mediunidade, alguns médiuns sentem-se exaustos após o trabalho, pois eles apresentam uma duração média de 1h a 2h, onde o transe é contínuo (podendo este tempo ser antecipado ou prorrogado de acordo com a disciplina estipulada pelo local onde está sendo realizado ou pela quantidade de obras a serem produzidas). Isso é normal.

Alguns médiuns possuem características mediúnicas muito peculiares, e pode ser necessário que se desliguem do trabalho de tempos em tempos para que haja uma reestruturação energética completa. Isso também é normal.

Quando o médium, por vontade própria, se desvincula do trabalho mediúnico, a espiritualidade interrompe a sintonia construída e o treinamento estanca. Se for de seu desejo ou de sua missão retomar esse trabalho posteriormente, sentirá como se estivesse reiniciando suas atividades mediúnicas e deverá se engajar na recuperação do aprimoramento técnico, recomeçando das fases iniciais do desenvolvimento. Como já dito, esta é uma mediunidade que exige treinamento constante, e uma vez que esse treinamento seja interrompido (salvo se for para reestruturação energética do médium) a qualidade técnica das obras sofre defasagem, exigindo novo treinamento e recomeço. Essa, definitivamente, não é uma mediunidade que pode ser "retomada" do ponto em que foi deixada.


c) Identidade dos espíritos e assinatura das obras      

No início do desenvolvimento, os espíritos que se manifestam não são conhecidos historicamente, e alguns (grande maioria) nem mesmo assinam as obras, ou o fazem sob algum pseudônimo. Estão ali para preparar o aparato mediúnico (físico e psíquico) do médium, desenvolver suas aptidões artísticas, ampliar sua percepção da arte, iniciar uma preparação técnica e moldar a energia pessoal do médium para a função de cura. Nenhum médium recebe, por exemplo, uma obra de Monet no primeiro dia de seu desenvolvimento, a menos que Monet seja seu mentor espiritual, e mesmo assim será uma obra sem aperfeiçoamento técnico nenhum e que dificilmente seria atribuída a Monet, porque não foi construída ainda a sintonia necessária para o fenômeno.

Para que os grandes mestres da pintura assinem suas obras ou autorizem a divulgação de seus nomes, são exigidos, muita vezes, anos de treinamento, anos! e só o fazem depois de estabelecerem uma conexão profunda com o médium a ponto de assegurar um domínio técnico capaz de reproduzir seus antigos estilos, de forma que as obras produzidas sejam fiéis e semelhantes a estes. Várias considerações precisam sem feitas aqui.

Primeiramente, os espíritos tem todo o cuidado de não exacerbar a vaidade e o estrelismo dos médiuns e dos auxiliares. Muitos desses pintores, quando ainda encarnados, eram excessivamente vaidosos, impáfidos, e utilizavam essa forma personalística para imprimir individualidade ao seu trabalho e fazer da excentricidade uma ferramenta de marketing pessoal. Agora, enquanto desencarnados, são convocados novamente ao trabalho de humildade e auxílio ao próximo, desprovidos da arrogância narcísica que muitos sustentavam quando encarnados. Portanto, serão eles os primeiros a não alimentar essas posturas nos médiuns. No início do desenvolvimento, eles podem mesmo vir e se manifestar, e todos os presentes no grupo mediúnico até percebem sua presença e identificam seu traço na obra produzida, mas ainda assim eles não assinam as obras (ou assinam com um pseudônimo). A verdadeira honra que um médium pode sentir é a de poder auxiliar multidões com as energias da cura, e não de se sentir um "eleito", um "preferido", um "escolhido" do mundo espiritual para receber esse ou aquele mestre da pintura.

Quando, ainda em desenvolvimento, o médium recebe uma obra assinada, esta deve lhe servir como referência e comprovação de que está sendo assistido pelos espíritos, não como estímulo à vaidade. Essas obras produzidas no interior do grupo mediúnico em estágio inicial de desenvolvimento do dom, devem permanecer ali, resguardada pelos membros, documentadas e arquivadas. Ainda não podem (não devem) ser doadas ou vendidas. Já existe obviamente um trabalho de cura em andamento desde os estágios iniciais de desenvolvimento, mas as energias de cura dinamizadas estão ainda voltadas mais ao atendimento dos espíritos necessitados que são conduzidos até as sessões do que ao público de encarnados.

Outra consideração importantíssima é quanto à identidade do espírito manifestante. No plano espiritual formam-se verdadeiras escolas de arte. Chico Xavier traz um relato de ter visitado (em desdobramento) uma colônia espiritual inteira formada por artistas e espíritos afins com a arte, e que ele, Chico, desconhecia sua existência até então. Pois bem... os grandes mestres da pintura continuam seus trabalhos artísticos no plano astral, formam escolas, agregam outros espíritos que compartilham suas afinidades e que se dispõem ao exercício da caridade através da manipulação de energias de cura que cada estilo veicula.

Os grandes mestres da pintura, transcenderam suas percepções artísticas, e Rembrandt assim  nos relata: "Estes também evoluíram, ascenderam a planos de compreensão da arte infinitamente maiores do que percebiam quando ainda encarnados. Mas o estilo deles marcou a civilização e, mesmo hoje, é-lhes penoso, de certa forma, voltar a executar algo que já transcenderam. O fazem, pois a finalidade agora é terapêutica e milhares de irmãos se beneficiam com cada traço, cada gota de tinta, cada mesclagem – verdadeiras explosões de energia pura".

Como agora, enquanto seres de luz, estão desprovidos de seus individualismos, eles permitem que seus "alunos" utilizem-se de seus nomes. Em outras palavras, exemplificando: Picasso já não é apenas o "Pablo Picasso" (pintor). Picasso agora é a nomenclatura de um grupo de espiritos afins que desenvolveram o mesmo estilo, que atuam em irmandade com a cura da mesma forma que seu orientador. Picasso é um codinome utilizado por todos os espíritos que atuam naquela falange específica de cura (ressalvando que, enquanto espírito, ele, Pablo Picasso, mantem sua individualidade). Portanto, quando o espírito assina a obra com esse codinome "Picasso", não quer dizer que esse espírito manifestante seja aquele "Pablo Picasso" conhecido da história (embora seja ele, o Pablo Picasso, o mentor de seus alunos). São alunos, mensageiros, espíritos afins com a arte que aprenderam a veicular energias de cura através do estilo cubista, são eles que também se manifestam, que pintam, que curam, que dão suporte energético a todo o trabalho.

Por isso, quando a obra mediúnica é colocada sob análise de algum crítico de arte, este dirá: essa obra realmente "é" de Picasso, essa outra "lembra" Picasso, aquela outra "tem traços" de Picasso, aquela terceira transparece "o imaginário" de Picasso, essa outra é "cubista" mas não posso afirmar que "seja" de Picasso.

Essas variações técnicas observadas entre obras produzidas através do mesmo médium (considerando aqui, no exemplo proposto, as que apresentam a assinatura "Picasso"), ou entre obras produzidas por esse médium em relação às produzidas por médiuns diferentes, essas aparentes diferenças ocorrem porque toda essa falange de espíritos que atuam sob o codinome Picasso atuam diretamente na confecção das obras, e esses espíritos são indivíduos, mantém suas percepções e caraterísticas únicas. Quando se revelam a algum médium vidente, eles assumem a imagem de Picasso, modificam sua forma espiritual para serem identificados assim. Eles se comunicam como Picasso, assinam como Picasso, pintam como Picasso...mas "Picasso" enquanto nomenclatura, marca, registro, símbolo!!! Quanto ao mentor de seus alunos, o "Pablo Picasso" (pintor), ele também estará presente nos trabalhos, e ele também - enquanto maior conhecedor do estilo e suas propriedades curativas - certamente irá produzir algumas obras.

O trabalho espiritual é coletivo. Se não fosse assim, "Pablo Picasso" (o pintor, individualidade) não teria outra coisa a fazer no mundo espiritual senão ficar por conta de "manifestar-se" em sessões mediúnicas, o tempo todo, de um lado a outro no mundo, numa correria sem fim, simplesmente para produzir rapidinho uma obra, perpertuar seu nome (que já é perpétuo) e chamar a atenção da população mundial para testemunhar que ele continua vivo após a morte de seu corpo. Além do mais ele teria que organizar muito bem sua agenda de "aparições" e manifestações para que os dias e horários das sessões mediúnicas não coincidissem umas com as outras. Poderíamos até imaginar algo assim: "segunda-feira 10 da manhã me manifestarei no médium de Nova York, ao meio dia tenho que estar na Polônia, as 14h devo me esperam na demonstração pública na Argentina, as 18 começa o trabalho em São bernardo do Campo, as 20 já devo estar em Curitiba para um programa de TV..." e por ai vai. Isso, além de completamente inviável e ilógico, é simplesmente absurdo!!!!

Absurdo maior que esse só poderia ser imaginado pelo médium vaidoso, que acredita ser "detentor" dos espíritos, e que não apenas ele (médium) é o único ser privilegiado com o qual os pintores se comunicam, como também que esses pintores não se manifestam em outros médiuns porque os outros médiuns não possuem as mesmas habilidades, missões e potenciais mediúnicos que os seus. Assim, como ele (médium vaidoso) recebe Picasso, então naquele dia e horário em que ele recebe Picasso, Picasso não poderia se manifestar em outro lugar, pois isso caracterizaria uma mistificação, uma fraude: ou ele ou o outro médium (que está exercendo a pintura mediúnica no mesmo horário em outro lugar) estariam mentindo, enganando as pessoas, pois "Picasso" não poderia estar em dois (ou três, ou dez, ou vinte) lugares ao mesmo tempo, pintando duas (ou três, ou dez, ou vinte) obras diferentes, conectado intimamente com dois (três, dez ou vinte) médiuns diferentes.   

Tomamos Picasso como exemplo, mas o mesmo processo coletivo ocorre com todos os pintores: Monet, Rembrandt, Van Gogh, Gauguin, Tarsila, Modigliani... com todos! Isso porque, na verdade, a pintura mediúnica não é um exercício artístico simplesmente: é um trabalho de cura que se projeta em múltiplas dimensões. E é coletivo!

É difícil tentar explicar isso para aquele crítico de arte, pois lhe falta a compreensão da dinâmica do mundo espiritual, mas não é para ele que estas obras são produzidas. Se a "comprovação" do fenômeno é necessária como mais uma das evidências da realidade espiritual (mais uma entre tantas já produzidas), muito mais importante e fundamental é o processo terapêutico produzido através das energias curativas multiluminosas. Novamente, Rembrandt: "Hoje temos mais urgência ainda em socorrer aos que sofrem do que nos ocuparmos de um fator de “convencimento” de multidões".  


d) Mãos, pés e pinturas invertidas

Em muitos trabalhos psicopictoriográficos observamos um espírito manifestante fazer uso simultâneo das mãos (direita e esquerda) do médium, compondo uma obra. Em outras demonstrações, observamos dois espíritos manifestantes (pintores diferentes) confeccionarem duas obras sobre a mesma tela. O médium, por sua vez é destro ou canhoto, e raramente ambidestro. Se tal fato ocorre, é, uma prova evidente do treinamento a que o médium está sendo submetido, onde sua "lateralidade" é colocada em segundo plano. Mas, acima de tudo, é a aplicação terapêutica específicamente liberada por cada mão em suas particularidades que justificam esse procedimento.

As mãos possuem características singulares. A mão dominante é especializada na psicomotricidade fina, precisa, metódica, usada geralmente nas tarefas que exigem maior controle, nos gestos de expressão corporal, no aperto de mão que estabelece contato energético com seu semelhante; é tida como a mão que expressa a energia funcional, racional, comprometida com as funções práticas e sociais externas. Por outro lado, a mão não-dominante, voltada a tarefas mais grosseiras, imprecisas e de apoio, é um reservatório natural de energias concentradas, pouco usadas, voltada aos aspectos criativos, afetivos e intuitivos, às emoções (tanto que é na mão esquerda que se consolida o anel simbólico do casamento).

O espírito comunicante, desprovido da dominância hemisférica cerebral característica do ser encarnado, pinta, sobretudo, com a mente. Utiliza-se, obviamente, dos receptores mediúnicos com suas possibilidades orgânicas, mas o espírito em si não é refém da lateralidade nem portador dela. Assim, na composição de suas obras, utiliza essa ou aquela mão do médium segundo as propriedades energéticas que pode delas extrair, seja de cada uma especificamente ou mesmo das duas simultaneamente.

E quando dois pintores se manifestam na mesma obra (um utilizando a mão esquerda e outro a direita), isso significa que a tela produzida é composta por duas variantes curadoras complementares, que contém o medicamento direcionado para o organismo e para o mundo afetivo do enfermo. Também significa uma solidarização da arte, o reflexo de uma irmandade espiritual agrupada para o serviço de cura, um compartilhamento de espaço sem personalismos. Enquanto encarnados e promotores de seus estilos, seria impensável, por exemplo, que Picasso e Modigliani se dispusessem a pintar uma mesma obra "a dois pincéis", o mesmo ocorrendo com Da Vincci e Bosh, Van Gogh e Kandinsky, Monet e Salvador Dali. Uma vez no plano astral, contudo, com nova compreensão da arte-cura e desprovidos de seus personalismos, eles interagem fraternalmente em uma mesma tela.

Os pés possuem uma característica muito especial. Eles são o reservatório natural das energias telúricas (vindas do solo, do interior mineral e magnético do núcleo da Terra) acumuladas ao longo dos anos pelo médium. Todo ser que caminha sobre a superfície do nosso planeta recebe essas energias vindas da terra, dos minerais, das águas, das plantas, dos animais, dos semelhantes. A maior parte dessas energias (principalemnte as telúricas e minerais) nos chegam pelos pés e avançam até a base da medula, onde se situa o chackra básico ou raiz, um órgão hiperfísico receptor. O chackra básico então irradia essa energia (que possui coloração numa escala que vai do laranja denso ao vermelho escarlate) para os outros chackras, alimentando-os com os fluidos de base. Os pés, portanto, acumulam esse padrão energético, cujos potenciais serão combinados às energias curadoras quando, no processo psicopictoriográfico, forem utilizados, como ferramentas de expressão, os pés do médium.

Em síntese, tanto as mãos quanto os pés são dententores de padrões energéticos especiais, característicos de suas posições e funções, que serão canalizados juntamente com as forças curadoras durante a confecção das obras.

Se os espíritos não apresentam dominância cerebral, também o fluxo de informações não obedece aos circuitos pertinentes ao cérebro humano do encarnado. No circuito visual humano, as imagens são captadas pela retina e células do globo ocular, percebidas de forma invertidas, transformadas em estímulos elétricos que se dirigem ao córtex visual que os reorganiza sob forma de imagem, os significa, dão-lhe sentido, e os processa para que o cérebro perceba essas imagens não mais invertidas.

Durante a psicopictoriografia, a mente espiritual do comunicante não se prende a esse circuito, e muitas vezes observamos a produção de uma obra de ponta-cabeça, ou seja, invertida, com a assinatura da tela também invertida. Quando finalizada, basta virar a obra produzida de cabeça para baixo para se obter a imagem real. Isso acontece com a finalidade de exercitar a mediunidade, de atestar a flexibilidade do fenômeno, de propiciar às pessoas que estão presenciando o fenômeno um ângulo de observação possível apenas ao médium e seus auxiliares. É como se o vórtice energético daquela obra fosse disparado diretamente na direção do público. Independentemente se é pintada de forma invertida, ou mesmo lateral, exercerá sua função de cura do mesmo modo que o faria uma obra produzida em posição normal.


e) Doação, venda de obras e manutenção do trabalho

O exercício da pintura mediúnica exige uma constante renovação de tintas, giz pastel, telas, papel, luvas, pincéis. O médium e o grupo que o assessora são encarregados da aquisição desses materiais. Como é um trabalho financeiramente oneroso, principalmente dado a frequência semanal sugerida para as sessões, tanto o médium quanto o grupo, podem angrariar doações. Doações completamente espontâneas, sob forma de materiais. Essa é uma preocupação fundamental que devem ter ao iniciar o desenvolvimento mediúnico da psicopictoriografia, visto que as obras produzidas nessa fase inicial não devem ser comercializadas. Algumas vezes, a própria instituição onde o trabalho é realizado se propõe, de bom grado, a ajudar nesses gastos.

Em fases mais aprimoradas do desenvolvimento mediúnico, havendo orientação e autorização da espiritualidade para a divulgação das obras, havendo a fundação oficial do trabalho de cura através da arte, havendo o bom-senso dos examinadores e o consenso quanto à qualidade técnica das obras, estas poderão ser expostas. Sendo expostas (uma vez produzidas em sessões internas do grupo ou mediante demonstrações públicas), elas poderão ser doadas ou vendidas.

No caso de demonstrações públicas, a menos que o próprio espírito manifestante a direcione para alguém do público, fica difícil estabelecer um princípio de doação. Por um motivo muito simples: se há vinte pessoas assistindo, as vinte irão querer alguma obra, e o que era para ser um trabalho de cura culmina em uma disputa desnecessária. Mas nesse caso as obras podem ser doadas à própria instituição, que lhes dará direcionamento oportuno.

Sendo necessário comercializar as obras, alguns cuidados precisam ser observados. Enfaticamente, a comercialização das obras só pode ser realizada se o valor arrecadado for utilizado nas seguintes condições: 1) na compra de novos materiais, o que proporciona manutenção do trabalho quando não ná doação espontânea desses materiais e possibilita o desenvolvimento de outros médiuns; 2) no auxílio a trabalhos de caridade, filantrópicos e humanitários, de iniciativa individual, institucional ou não-governamental; 3) no amparo a pessoas necessitadas de aspectos básicos como alimentação, vestuário, educação ; 4) na compra de medicamentos a enfermos e na manutenção de unidades voltadas à saúde; 5) na aquisição de material de estudo, livros e formação de bibliotecas espiritualistas de acesso gratuito (não de livrarias, cujos livros são "vendidos" para manutenção das despezas institucionais).

Exceto por esses cinco destinos previstos para o direcionamento do valor arrecadado, nenhum outro encaminhamento deve ser sequer considerado ou colocado em questão. O médium não pode jamais ser o beneficiário de qualquer quantia recebida, não pode receber valor monetário algum por um trabalho que não lhe pertence, não pode "vender" telas mediúnicas e se apropriar dos valores, mesmo que parte destes, para uso pessoal (reiteramos: exceto para renovação de materiais).

Se há duas coisas completamente opostas e incompatíveis, são elas: mediunidade e dinheiro. Espiritualismo não combina com materialismo, e filantropia não combina com capitalismo. No mesmo sentido, a instituição recebedora dessa quantia não deve jamais utilizá-la para qualquer outro fim que não seja o de auxílio ao próximo, portanto, os valores arrecadados não podem ser desviado para outros fins, como, por exemplo, pagamento de contas da instituição.

Observamos que em várias partes do mundo alguns artistas (que produzem obras e recebem por seu trabalho, como em qualquer ofício) cobram por suas "demonstrações públicas" e vendem suas obras a elevados preços. Alguns podem (e certamente estão) sob influência mediúnica, mesmo que seja a mais sutil sob forma de inspiração. Entretanto, eles tão tem a consciência disso. Não há problema algum nesse sentido, pois a mediunidade, como já o dissemos, é um fenômeno natural. Eles estão expressando os seus dons enquanto "profissionais" e nada mais justo que isso, pois o mundo precisa expandir o campo da arte.

Nesse mesmo pensamento, o médium psicopictoriógrafo pode ser certamente, dentre todas as profissões existentes, um artista, um pintor, um desenhista, alguém que trabalhe profissionalmente com a arte. Como artista ele indubitavelmente poderá comercializar o fruto de seu trabalho profissional. O problema surge quando há a consciência do médium de que realmente manifesta um fenômeno mediúnico e o produto desse fenômeno se fundamenta nessa prerrogativa, ocorra essa manifestação em grupos internos ou publicamente. Nesse caso, sob uma perspectiva espiritualista e ética, uma vez que a manifestação ocorra sob o timbre da mediunidade, ele jamais poderá ser remunerado por isso.

Quanto ao valor cobrado pelas obras, ele deve se respaldar na compreensão de que nem todos (que realmente dela necessitam) podem comprá-las. Portanto, o valor deve ser concebido em uma perspectiva democrática e profundamente sensata. Em um país como o Brasil, cujo salário mínimo é lamentavelmente defasado, o valor das obras não deve exceder a margem de 20% a 40% desse salário. E aqui se instaura uma política muito humanista, respeitosa e ética por parte do médium, do grupo que o assessora e da instituição que os apoia: se algum aquisitor quiser ou puder contribuir com um maior valor pela obra, se for de seu desejo ajudar na manutenção do trabalho, sua contribuição será bem recebida; se alguém solicitar que o valor seja dividido em "n" vezes para ser possível adquirir a obra, isso deve ser possibilitado sem contrangimentos ou negociações discussivas; se alguém não puder custear quantia alguma, se não puder nem mesmo contribuir com algum material, a obra deve ser-lhe doada impreterivelmente e de muito boa vontade.

O valor atribuído a cada obra a ser comercializada deve se embasar no tamanho da tela e nos materiais utilizados, e nunca em função do espírito comunicante, cujo "nome" é assinado. De mesmo tamanho, uma obra de Renoir não pode ter valor mais elevado que uma de Anita Malfatti ou de qualquer "pintor não-conhecido" que assinar uma tela. E, pelo mesmo princípio, uma obra produzida em uma sessão fechada do grupo espiritualista não deve possuir valor mais elevado que uma produzida em um congresso com centenas de pessoas na platéia, assim como uma pintada de forma invertida ou com os pés não deve ter valor diferenciado de uma confeccionada em posição normal ou com as mãos.

Embora seja um assunto delicado esse da comercialização das obras, fizemos questão em abordá-lo tendo em vista algumas disparidades observadas. Temos notícias de telas mediúnicas comercializadas com valores exorbitantes, quase como se fossem "originais" produzidos pelo artista em sua encarnação. Médium nenhum tem o direito de utilizar a mediunidade como ofício profissional e ser por isso "remunerado". Não pode cobrar pelo que não lhe pertence. Observamos também que alguns grupos espiritualistas iniciam o desenvolvimento do trabalho de psicopictoriografia com vistas à arrecadação futura com a venda das obras. Isso é um erro inaceitável! Que iniciem o trabalho voltado à cura. Aí sim, estarão cumprindo os desígnios da caridade e operacionalizando corretamente essa função mediúnica.

O direcionamento das obras que propomos através desse blog (como já descrito na aba "quem somos") é inteiramente voltado à DOAÇÃO das mesmas. E qualquer ajuda oferecida por outras pessoas só é aceita sob forma de materiais. É opção nossa nunca vender ou cobrar por qualquer obra produzida por entendermos que esse trabalho não nos pertence e não foi produzido por nós. Sendo um trabalho espiritual de doação e cura, temos por princípio compreender que cura não se comercializa por mais sublimes que sejam os objetivos e o emprego das arrecadações. Mas esse é apenas o nosso ponto de vista, nossa postura enquanto instrumentos desse trabalho. Não é uma lei, e com isso não queremos estabelecer qualquer tipo de julgamento em relação aos grupos e entidades que vendem as obras. É apenas o nosso modo de pensar e servir segundo o que aprendemos com Cristo.

2 comentários:

  1. Muito coerente e muito interessante o trabalho!
    Que Deus , nosso Pai, possa continuar abençoando a propósito sérios!
    Deus te abençoe meu irmão.
    Faço parte do Hospital Espiritual Maria Claudia martins, visite-nos! www.mcm.org.br
    Que Jesus te envolva em muito amor, e muita proteção, para que os teus propósitos não sejam corrompidos, mas sim cada vez mais utilizados para o bem e a beleza divinas, levando conforto ,paz, alegria e felicidade aos corações que necessitam conhecer mais de Deus e de suas criações.
    Muita Paz!
    Abraços Fraternos
    Eva Macedo

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  2. Agradecemos seu comentário, irmã Eva, junto com as bênçãos que nos enviaste.
    Acessaremos o site e o divulgaremos em nossa página no facebook.
    Os propósitos divinos nunca serão corrompidos, assim como os nossos!
    Afinal esse trabalho não nos pertence, somos apenas condutores dessas energias de cura, na medida exata de nossas capacitações e missão em socorrer aos necessitados.
    Bênçãos também recaiam sobre o Hospital Espiritual Maria Claudia Martins, sobre você e sua família.
    Abraços de luz.

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